Vibe e fé
Vibe e fé: o que um temporal me ensinou sobre a vida
Tem dias em que a nossa vibe despenca e a fé parece andar de muletas.
Confesso: ultimamente, tanta notícia ruim tinha deixado a minha energia lá embaixo e a minha fé meio capenga.
Até que, na madrugada de segunda-feira, 21 de setembro, um temporal assustador me fez enxergar a vida de um jeito completamente diferente.
E olha que curioso: foi justamente o medo que me fez recuperar a fé.
Quando a vibe baixa e a fé fica capenga
Não sei vocês, mas eu tenho dias em que parece que o mundo inteiro resolveu pesar um pouquinho mais.
É notícia ruim, tragédia, violência, desastres, preocupações, problemas que parecem não ter fim...
A gente acompanha tudo pelo celular, televisão, redes sociais e, sem perceber, vai absorvendo um pouco de cada coisa.
Até que chega uma hora em que a gente pensa:
“Meu Deus, para onde está indo a humanidade?”
Foi mais ou menos assim que eu estava.
Minha vibe tinha baixado.
Minha fé, que sempre esteve comigo de alguma maneira, também estava meio sem força.
Não era falta de Deus.
Talvez fosse excesso de mundo.
Excesso de informação.
Excesso de preocupação.
Excesso de coisas que eu não podia controlar.
E então veio aquela madrugada.
A madrugada em que o vento parecia gritar
Na madrugada de 21 de setembro, o Rio Grande do Sul enfrentou uma sequência de temporais severos.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, havia previsão de tempestades, granizo e rajadas intensas de vento. A Defesa Civil havia alertado para a possibilidade de rajadas superiores a 100 km/h e também para risco de tornado em determinadas áreas.
Em São Leopoldo, onde os efeitos foram bastante sentidos, o vendaval provocou muitos estragos e mais de 300 residências foram atingidas, segundo informações divulgadas posteriormente.
Eu não sei dizer se aquilo que senti naquela madrugada foi tornado, vendaval ou outro fenômeno específico.
E, sinceramente?
Não preciso colocar um nome exato no vento para saber o que ele provocou dentro de mim.
Porque aquela noite foi assustadora.
O vento parecia fazer barulho de bicho.
Às vezes eu pensava em um animal enorme passando pela rua.
Em outros momentos, parecia uma manada de cavalos correndo desgovernada.
Era um som difícil de explicar.
Um daqueles momentos em que a gente fica quieta, escuta e pensa:
“Meu Deus, o que está acontecendo lá fora?”
E, naquele momento, o que eu mais queria era saber se as pessoas que amo estavam bem.
O medo faz a gente perceber o que realmente importa
Foi aí que alguma coisa mudou dentro de mim.
No meio daquele medo, comecei a pensar nas pessoas.
Família.
Amigos.
Gente que amo.
Gente que talvez nem saiba o tamanho da importância que tem na minha vida.
E percebi uma coisa tão simples que chega a ser quase engraçada:
eu tenho muito mais do que às vezes percebo.
E não estou falando de dinheiro.
Não estou falando de casa bonita, carro, roupa, viagem ou qualquer coisa que possa ser comprada.
Estou falando de gente.
De abraço.
De conversa.
De amizade.
De família.
De ter alguém para chamar.
De alguém perguntar se estou bem.
De poder acordar no dia seguinte.
De tomar meu café.
De sentar no meu canto.
De fazer meu crochê.
De olhar para os meus gatos.
De reclamar de alguma bobagem e, depois, rir de mim mesma.
Coisas pequenas.
Coisas que parecem tão comuns que a gente deixa de enxergar.
Até que alguma coisa nos lembra que o comum também é precioso.
E se a vida não estiver esperando aquilo que você espera?
Talvez essa tenha sido uma das maiores lições daquela noite.
A gente passa muito tempo esperando a vida ficar exatamente como imaginamos.
Esperamos determinada resposta.
Esperamos determinado dinheiro.
Esperamos determinada mudança.
Esperamos determinada pessoa.
Esperamos que tudo se encaixe para finalmente dizermos:
“Agora sim, estou feliz.”
Mas e se a felicidade também estiver escondida naquilo que já existe?
E aqui fica a pergunta que ficou ecoando dentro de mim:
E se aquilo que você chama de “vida simples” for justamente a vida que um dia você vai desejar ter de volta?
Não estou dizendo que devemos abandonar sonhos.
Muito menos que devemos aceitar tudo passivamente.
Sonhar é bonito.
Mudar é necessário.
Buscar uma vida melhor faz parte de estar vivo.
Mas existe uma diferença enorme entre querer mais e não conseguir enxergar o que já temos.
E eu acho que, durante algum tempo, estava olhando demais para aquilo que faltava.
Naquela madrugada, comecei a olhar para aquilo que estava ali.
Quando o medo também pode ensinar
Não romantizo o medo.
Medo é medo.
Um evento climático severo pode destruir casas, causar prejuízos, ferir pessoas e, infelizmente, também provocar mortes. A sequência de temporais que atingiu o Rio Grande do Sul entre os dias 20 e 21 de setembro deixou vítimas e danos em dezenas de municípios.
Por isso, não quero transformar uma situação séria em uma história bonita demais.
Houve sofrimento real.
Houve pessoas assustadas.
Houve famílias preocupadas.
Houve perdas materiais e perdas muito mais difíceis de reparar.
Mas também acredito que cada pessoa pode encontrar, dentro da própria experiência, alguma coisa que a ajude a continuar.
No meu caso, foi uma mudança de olhar.
O temporal não foi uma bênção.
A lição que nasceu depois dele é que foi transformadora para mim.
E isso faz toda a diferença.
Minha fé voltou diferente
Talvez eu tenha entendido que fé não é viver acreditando que nada ruim vai acontecer.
Porque coisas ruins acontecem.
Tempestades acontecem.
Perdas acontecem.
Medos aparecem.
A vida, às vezes, vira do avesso sem pedir licença.
Para mim, fé passou a significar também confiar mesmo sem ter controle sobre tudo.
Naquela noite, eu não podia controlar o vento.
Não podia controlar o barulho.
Não podia controlar o que estava acontecendo na rua.
Não podia garantir que nada aconteceria com as pessoas que amo.
Eu só podia respirar, esperar, cuidar do que estivesse ao meu alcance e confiar em Deus.
E talvez seja justamente aí que a fé se torna mais verdadeira.
Não quando tudo está tranquilo.
Mas quando o coração está tremendo e, mesmo assim, a gente encontra forças para dizer:
“Eu não sei o que vai acontecer, mas eu não estou sozinha.”
A vida pode mudar em poucos minutos
Essa talvez tenha sido a parte mais forte de tudo.
Em poucos minutos, aquilo que parece seguro pode deixar de parecer tão seguro.
Uma árvore pode cair.
Uma janela pode quebrar.
Uma casa pode ser danificada.
A energia pode acabar.
O telefone pode ficar sem sinal.
E, de repente, aquilo que parecia tão importante deixa de importar.
Naquela hora, ninguém pensa em perfeição.
Ninguém pensa em aparência.
Ninguém pensa em pequenas diferenças.
A gente pensa em estar vivo.
Em saber se quem amamos está bem.
Em ter um lugar seguro.
Em agradecer.
E depois que tudo passa, alguma coisa dentro da gente também pode passar.
A pressa.
A reclamação.
Aquela mania de achar que só seremos felizes quando alguma coisa mudar.
Aprendi a agradecer pelas pequenas coisas
Depois daquela madrugada, comecei a perceber coisas que sempre estiveram diante de mim.
O silêncio da casa.
O café quente.
Uma conversa.
Um abraço.
Um dia de sol.
Uma noite tranquila.
A possibilidade de fazer aquilo que gosto.
A presença das pessoas que amo.
Até os pequenos problemas ganharam outra proporção.
Não significa que deixei de me incomodar.
Seria mentira dizer isso.
Continuo sendo eu.
Continuo reclamando de algumas coisas.
Continuo tendo dias difíceis.
Continuo querendo melhorar.
Mas alguma coisa mudou.
Eu passei a olhar diferente.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de amadurecer: não necessariamente mudar quem somos, mas mudar a maneira como enxergamos aquilo que já faz parte da nossa vida.
Vibe boa também é gratidão
Engraçado como a palavra “vibe” parece tão moderna, enquanto a sensação é tão antiga.
Vibe é energia.
É disposição.
É aquela sensação de estar bem consigo mesma.
E descobri que, para mim, uma das melhores maneiras de recuperar a vibe é perceber motivos para agradecer.
Não uma gratidão forçada.
Não aquela coisa de fingir que está tudo maravilhoso quando não está.
Mas uma gratidão possível.
Real.
Daquelas que dizem:
“Minha vida não é perfeita, mas existe muita coisa bonita aqui.”
E isso muda tudo.
Talvez a minha vibe não tenha mudado porque os problemas desapareceram.
Ela mudou porque eu parei de deixar os problemas ocuparem todo o espaço.
Nem tudo precisa ser perfeito para ser bonito
Essa foi outra descoberta.
Durante muito tempo, talvez a gente aprenda que felicidade é conquistar aquilo que ainda não temos.
Mas existe beleza naquilo que já existe.
Uma vida simples pode ser cheia de significado.
Uma casa pode não ser perfeita e ainda assim ser lar.
Uma família pode ter diferenças e ainda assim ser família.
Nós podemos ter defeitos e ainda assim merecer amor.
Podemos estar cansados e continuar sendo fortes.
Podemos ser fortes e, em alguns momentos, precisar de colo.
Ser humano é viver essa mistura.
Forte e fraca.
Corajosa e medrosa.
Otimista e preocupada.
Fé e dúvida.
Riso e lágrima.
Tudo isso cabe na mesma pessoa.
O que aquele temporal deixou em mim
Não quero guardar daquela madrugada apenas o susto.
Quero guardar a lição.
Quero lembrar que a vida é frágil, mas também extraordinariamente bonita.
Quero lembrar de agradecer mais.
De reclamar menos.
De estar mais presente.
De dizer às pessoas que amo que elas são importantes.
De não deixar para amanhã aquele abraço que posso dar hoje.
De aproveitar mais as pequenas coisas.
De valorizar quem caminha comigo.
E, principalmente, quero lembrar que fé não significa ausência de medo.
Às vezes, fé é sentir medo e continuar.
É não saber o que virá e, mesmo assim, seguir.
É reconhecer que não controlamos tudo.
E confiar.
E aquela vibe baixa?
Bom...
Nem lembro mais dela.
Aquela vibe que estava lá embaixo simplesmente mudou.
Foi quase da água para o vinho.
Não porque minha vida ficou perfeita.
Não porque todos os problemas desapareceram.
Mas porque alguma coisa dentro de mim mudou de lugar.
O que antes parecia pouco começou a parecer muito.
O que eu achava comum passou a parecer especial.
O que eu tinha deixado de perceber voltou a ter valor.
E a minha fé?
Essa também voltou.
Talvez não exatamente igual à que existia antes.
Voltou mais consciente.
Mais simples.
Mais agradecida.
Mais presente.
Porque, no fim das contas, talvez a gente não precise de uma vida perfeita.
Talvez precise apenas aprender a reconhecer a beleza da vida que já temos.
E, depois daquela madrugada, uma coisa ficou muito clara para mim:
a vida pode até nos assustar, mas também pode nos ensinar a enxergar.
E eu escolho enxergar.
Uma reflexão para levar com você
Talvez você esteja vivendo uma fase difícil.
Talvez sua vibe também esteja baixa.
Talvez sua fé esteja cansada.
Talvez você esteja olhando para tudo aquilo que não deu certo e esquecendo de olhar para aquilo que continua de pé.
Então, hoje, faça uma pausa.
Olhe ao redor.
Quem está com você?
O que você ainda tem?
Que coisas simples fazem parte dos seus dias?
Quem você ama?
O que merece mais atenção?
Às vezes, a vida que estamos esperando começar já começou faz tempo.
Só precisamos parar um pouco para perceber.
Um pequeno lembrete
Este texto é uma reflexão pessoal sobre fé, gratidão, medo e experiências diante de um evento climático. O Simplesmente Minda não é um blog de consultas médicas nem substitui orientação profissional. Em situações de saúde física ou emocional, procure profissionais qualificados. Em situações de emergência ou eventos climáticos severos, siga sempre as orientações oficiais da Defesa Civil e dos serviços de emergência.
Para informações sobre alertas e prevenção no Rio Grande do Sul, consulte os canais oficiais da Defesa Civil do Rio Grande do Sul. A própria Defesa Civil reforça que avisos e alertas são previsões e podem ou não se confirmar.
Para terminar...
Eu comecei este texto dizendo que minha vibe tinha caído e minha fé estava capenga.
Hoje, olhando para tudo o que aconteceu, quase dou risada disso.
Porque a vida tem dessas coisas.
Às vezes, aquilo que parece nos derrubar acaba nos fazendo levantar com outro olhar.
Não agradeço pelo medo.
Não agradeço pelo sofrimento de ninguém.
Mas agradeço pela oportunidade de perceber, depois de tudo, o quanto tenho motivos para agradecer.
E talvez seja essa a minha nova vibe:
menos preocupação com aquilo que falta e mais gratidão por aquilo que permanece.
E você?
Como está a sua vibe e a sua fé hoje?
Sua resposta pode ajudar alguém que também esteja precisando enxergar um pouco de luz no meio da própria tempestade.
Conte nos comentários. E, se este texto tocou você de alguma maneira, compartilhe com alguém que precisa ler isso hoje.
Sobre Minda DörrCriadora do Masso Vita, Minda é apaixonada por desenvolvimento pessoal, saúde e pelos pequenos detalhes que tornam a rotina mais leve. Ela escreve para acolher e inspirar quem busca uma vida com mais equilíbrio, leveza e propósito — sem buscar a perfeição, mas valorizando a constância.
O que você encontra por aqui:
- Saúde & Emocional: Dicas práticas e humanas para cuidar do corpo e da mente.
- Estilo de Vida: Inspirações sobre momentos em família, livros, moda e aconchego.
- Propósito: Conteúdos fundamentados para transformar pequenos hábitos em qualidade de vida.
👉 Conecte-se comigo: [Instagram] | [YouTube] | [Contato] | [Pinterest]

Comentários
Postar um comentário
Seja bem vindo(a), sua presença nos deixa muito feliz!
Bjos,
Volte Sempre!