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Câncer de cabeça e pescoço

Câncer de cabeça e pescoço registra mais de 40 mil novos casos no Brasil

Câncer de cabeça e pescoço registra mais de 40 mil novos casos no Brasil
Tabagismo, consumo de álcool e infecção persistente por HPV estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença

O câncer de cabeça e pescoço está entre os tumores mais incidentes no Brasil, com cerca de 40 mil a 48 mil novos casos diagnosticados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O grupo engloba tumores que podem surgir na cavidade oral, lábios, orofaringe, hipofaringe, laringe, nasofaringe, cavidade nasal, seios paranasais, glândulas salivares e tireoide. Durante o Julho Verde, mês de conscientização sobre a doença, especialistas alertam para a importância da prevenção e da identificação precoce de alterações persistentes.

Apesar de acometerem uma mesma região anatômica, os cânceres de cabeça e pescoço não representam uma única doença. Cada tumor possui características próprias em relação à origem, comportamento clínico, prognóstico e resposta ao tratamento, o que exige investigação detalhada para definição da conduta mais adequada.

“Os tumores de cabeça e pescoço podem surgir em diferentes estruturas da região e cada um apresenta características próprias. Por isso, a identificação correta do local onde a doença se originou é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente”, afirma o oncologista clínico Dr. Álvaro Guimarães Paula, especialista em câncer de tórax, cabeça e pescoço da Croma Oncologia.

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento desses cânceres estão o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas, combinação que eleva significativamente o risco da doença. A infecção persistente pelo HPV também está relacionada a alguns tumores da região, principalmente os de orofaringe. A vacinação contra o vírus integra as principais medidas de prevenção disponíveis atualmente.

Os sinais de alerta variam conforme a localização da lesão, mas algumas manifestações merecem atenção, como feridas ou manchas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, aumento de volume no pescoço, dor progressiva, sensação de corpo estranho, obstrução nasal e sangramentos sem causa aparente. De acordo com o INCA, entre 70% e 80% dos casos são diagnosticados em fases avançadas no Brasil, cenário associado à demora na procura por atendimento, à desvalorização de sintomas persistentes, ao receio do diagnóstico e às dificuldades de acesso a profissionais e exames especializados.

A confirmação da doença envolve avaliação clínica, exames de imagem e biópsia. Além de confirmar a presença do tumor, essas ferramentas auxiliam na determinação da extensão do quadro e no planejamento da estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente. Em algumas situações, o paciente pode apresentar metástases em linfonodos cervicais sem que seja possível identificar a origem do tumor, mesmo após extensa investigação clínica, radiológica e anatomopatológica. Essa condição é denominada carcinoma de sítio primário oculto (CSPO). “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menor a necessidade de tratamentos combinados e mais agressivos, contribuindo para a preservação da qualidade de vida, da funcionalidade e da estética dos pacientes”, destaca Guimarães.

Nas últimas décadas, o tratamento evoluiu com avanços em cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias alvo e imunoterapia. Entre os destaques mais recentes estão a incorporação da imunoterapia em alguns casos de doença localmente avançada passível de cirurgia, seja antes ou após o procedimento, a utilização do sequenciamento genético de nova geração (NGS) para identificação de alterações moleculares relevantes para prognóstico e tratamento e o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, como anticorpos biespecíficos e anticorpos conjugados a droga (ADCs), atualmente avaliados em estudos clínicos.

Diante da persistência de sinais suspeitos, a orientação é buscar avaliação médica especializada. O reconhecimento precoce da doença continua sendo um dos principais aliados para ampliar as possibilidades de cura e favorecer intervenções mais adequadas para cada paciente.
 
Minda Dörr autora do blog Masso Vita
Sobre a autora
Minda é criadora de conteúdo, apaixonada por bem-estar, desenvolvimento pessoal, qualidade de vida e pelos pequenos detalhes que tornam a vida mais leve e significativa. Através do Masso Vita, compartilha reflexões, informações e dicas práticas para inspirar hábitos mais saudáveis, equilíbrio emocional e uma rotina com mais propósito.

Acredita que o conhecimento, quando compartilhado de forma simples e acolhedora, tem o poder de transformar vidas. Entre livros, escrita, decoração, moda e momentos em família, busca levar aos leitores conteúdos que informam, inspiram e promovem bem-estar no dia 

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