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Carnaval e saúde mental

Carnaval e saúde mental: entre a euforia e a necessidade de equilíbrio

Carnaval de rua
O Carnaval é um dos períodos mais intensos do calendário emocional brasileiro. Para muitas pessoas, a festa funciona como uma pausa necessária da rotina, um espaço de liberdade, encontro e expressão. A música, as fantasias e a ocupação das ruas fortalecem vínculos, promovem pertencimento e ajudam a aliviar o estresse acumulado ao longo do ano. No entanto, essa mesma intensidade pode trazer impactos importantes para a saúde mental.

De acordo com a psicanalista Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo, o Carnaval carrega um forte simbolismo emocional. A celebração permite que desejos, sonhos e emoções ganhem forma, ao mesmo tempo em que convida as pessoas a se conectarem umas com as outras. Esse movimento coletivo pode ser extremamente positivo, funcionando como um mecanismo de liberação emocional e fortalecimento social.

Por outro lado, a expectativa de felicidade constante pode se tornar um peso. A ideia de que todos devem estar animados, disponíveis e em sintonia com a energia da festa pode gerar ansiedade, sensação de inadequação e solidão, especialmente em quem já enfrenta desafios emocionais. A comparação social intensificada pela exposição nas redes reforça a impressão de que há um padrão de alegria a ser alcançado, o que nem sempre corresponde à realidade interna de cada indivíduo.

Outro fator de atenção é a exaustão emocional e física. A sequência de festas, a privação de sono, o excesso de estímulos e a intensa interação social podem levar ao esgotamento, sobretudo em pessoas mais sensíveis ou introvertidas. Quando o corpo ultrapassa seus limites, a mente responde com irritabilidade, cansaço extremo e dificuldade de concentração, afetando o bem-estar geral.
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